RIO DE JANEIRO – Você conhece algum museu localizado no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste? Na Taquara, o Museu Bispo do Rosário é um sopro de arte e cultura, abrigando obras de arte feitas pelos então moradores da antiga Colônia Juliano Moreira, hospital que foi local de moradia de muitos pacientes psiquiátricos. No mês de novembro, a equipe do Esquina foi ao museu para entender um pouco da história do espaço.
Antes de se tornar um Museu, a área era uma Colônia para pacientes incuráveis da psiquiatria. Eles eram considerados “loucos” pela sociedade, submetidos a torturas, trabalhos forçados, seus cabelos eram, raspados e usam uniformes, e assim permaneciam até a morte.
Posteriormente, na Colônia também acreditava-se na cura pela expressão artísticas a praxiterapia (atividades diversas como terapia): o hospício se tornou um lugar de resistência artística.
Visitantes e integrantes do museu comentaram como as artes apontam a conexão entre a loucura e a vida:

Ivanildo Ferreira de Sales (57), mediador das exposições do museu afirma:
Aqui tem muita coisa boa. Falamos bastante sobre a loucura e a vida, as duas podem existir em harmonia”, diz.

Para Luciana Silva (44), técnica de contabilidade, sua visita ao museu trouxe autoconhecimento. Ela ficou deslumbrada ao saber qual era a visão dos pacientes e também como se expressavam através da arte, usando a metodologia como uma forma de liberdade em meio toda a prisão que viviam constantemente.
“Foi bem importante observar a expressão artística de cada artista. De uma forma singela, dentro de sua inocência, cada um foi construindo um trabalho e se expressando”, diz.
Luciana conta que se sentiu aflita ao saber da história de cada um dos artistas e seus distúrbios.
“Fiquei angustiada de ver o sofrimentos deles e saber da história de cada um ali, me fez pensar bastante em como a ciência evoluiu hoje e que pessoas com transtornos mentais nunca mais vão ser tratadas desta forma, com tortura. Apenas com arte“, completa.
Confira alguma das obras de arte a partir das fotos de Letícia Pizzanelli.






História
Inaugurado em 1924, o atual Museu Bispo do Rosário tinha o nome de Colônia Psicopata para Homens. Em 1935, tornou-se Colônia Juliano Moreira, fazendo referência ao psiquiatra que trouxe um novo modelo de assistência hospital-colônia. Em 1980, com a luta antimanicomial, houve a implementação e a criação de novas práticas como forma de ressocialização dessas pessoas. Com a chegada do artista plástico, Arthur Bispo do Rosario, que chegou a ser internado por transtorno mental durante três anos e mesmo depois de receber alta, não quis ir embora. Rosário permaneceu por mais de 50 anos na Colônia, transformando o local no museu que é conhecido hoje, abrigando suas obras de arte e de outros artistas também.
Serviço:
Museu Bispo do Rosário – Edifício Sede da Colônia Juliano Moreira
Estr. Rodrigues Caldas, 3400 – Curicica, Rio de Janeiro
Dias e horários: Segunda à sexta, das 10h às 17h
Telefone: 22713-375
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Por: Ana Karolina Coutinho (Editor), Letícia Pizanelli (Repórter), Giulia Cortez (produtora) e João Marcos Perissé (social media).
