A proliferação da Covid-19 no mundo fez com que os líderes de muitas nações criassem medidas para evitar aglomerações durante a pandemia, com objetivo de diminuir o fluxo de pessoas contaminadas pelo Coronavírus. Apesar disso, o percentual de mortos e infectados no Brasil teve uma queda no mês de agosto. E incentivou os estados brasileiros a flexibilizarem tais medidas para que o prejuízo econômico dos diversos setores afetados pela pandemia seja menor. Mas esse afrouxamento trouxe junto um retrato da falta de conscientização por parte da população, que vem lotando as praias e bares de diversos estados, dentre eles temos o Rio de Janeiro. O Esquina Grande Tijuca ouviu especialistas e populares sobre o tema.

As praias e bares lotados em várias regiões do estado nos últimos dois meses são reflexo da seriedade com a qual população enxerga da atual fase da pandemia. E por essa falta de conscientização, o número de casos registrados da doença até o último dia (25) subiu para 259.488 e 18.247 óbitos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde.
A médica infectologista Daniele Macedo alerta que o distanciamento físico, uso de máscaras, etiqueta respiratória e higienização constante das mãos continuam sendo fundamentais na prevenção do vírus.
“Difícil avaliar se as pessoas relaxaram individualmente nos seus cuidados. Esses dias passei num estabelecimento onde há preparo de alimentos, e o funcionário que manipulava o alimento estava com a máscara no queixo. O Brasil é muito grande, com uma grande desigualdade social e com sérios problemas de educação. Será que esse funcionário que eu vi não tem a informação da necessidade do uso de máscara no trabalho? Como lidar com o transporte público lotado por exemplo?” questiona a infectologista.
Os comerciantes que aguentaram as fases extremas da pandemia, hoje seguem a rotina mais aliviados. “Em todos os sentidos, trabalho por comissão e meu salão ficou parado por meses e com isso, não tenho outra renda. A situação financeira ficou complicada”, diz o cabeleireiro José Flávio da Silva.
O profissional, cujo salão adotou todos os cuidados necessários para voltar a funcionar, não concorda totalmente com a flexibilização, especialmente no que tange à realização de festas, encontros em bares e outros.
“A flexibilização não está sendo feita de maneira correta, pois o brasileiro não tem discernimento para agir dentro de uma pandemia, não tomando os devidos cuidados e se aglomerando em ambientes, como praia, bares, festas”, afirma José.

Grandes empresas como as de ônibus também sofreram com os impactos derivados pela Covid-19, que consequentemente afetou os motoristas dos meios de transporte. O motorista de ônibus, Jorge Luis dos Santos Fernandes, explica que trabalha nessa profissão há 27 anos e nunca viu um cenário como esse, em que centenas de trabalhadores estão sendo mandados embora em um curto espaço de tempo.
Algo que preocupa a todos são as especulações sobre o quanto deve demorar para a economia conseguir recuperar o prejuízo de todos os meses parcialmente parados. O economista, Durval Meirelles afirma que o desemprego vai ser algo inevitável nessa fase de recuperação e que o PIB do Brasil vai voltar a mesma marca de antes da pandemia, porém somente no ano de 2021.
Confira abaixo alguns trechos das conversas com os entrevistados.
Esquina Grande Tijuca · Jorge Luís fala como a pandemia afetou o seu trabalho
Esquina Grande Tijuca · Durval Meirelles fala como a pandemia afetou a economiaLEIA TAMBÉM: Restaurantes premiados da Tijuca se reinventam durante a pandemia
Por João Pedro Oliveira, Mayara Tavares e Pedro Ramos (Jornal Online)
